sexta-feira, 6 de junho de 2008

na floresta da noite



meus passos são hesitantes tropeços bêbados entre as raízes grossas e antigas das árvores milenares desta floresta que, pela noite e madrugada, cresce dentro de minha casa

não enxergo as escadas longas que me levariam ao quarto ou qualquer móvel da sala, emerge a terra úmida cobrindo os tacos de madeira do piso

são farfalhar de folhas urros cantos respirações rugidos assobios de ventos pios zumbidos passos neste barulho insuportável que habita cada instante do falso silêncio de uma mata

pesa sobre mim o ar denso quente úmido e estagnado das florestas tropicais

caio aturdida mole confusa sobre o musgo macio e perfumado onde antes havia um tapete

Nenhum comentário: